14 março 2013

''Enjoy The Silence''





Capítulo 3


Créditos:Bruna Dugrey

Um fazendeiro conhecido da região morreu na nossa sexta noite na fazenda dos Blanco. Todos os empregados tinham ido ao velório, inclusive Claire, que obrigou Chay e Mel a irem junto, porque o tal fazendeiro havia dado um cavalo para o Chay quando ele era pequeno, então ele tinha que ir.
Consegui escapar por pouco. Disse que estava com dor de barriga, claro que o Chay percebeu que era mentira, mas a Claire logo me encheu de paparicos e recomendações antes de sair. Suas últimas palavras antes de fechar a porta foi ‘dê uma olhada na Luinha por mim’.
Então lá estava eu, parado na porta do quarto amarelo, decidindo se batia ou não. A casa estava silenciosa, a ponto de conseguir ouvir os passos que a Lua dava dentro do quarto e... Calma aí! Ela estava chorando? Eu poderia jurar ter ouvido um soluço e um suspiro.
Lua? – bati na porta bem de leve, nenhuma resposta – Posso entrar?
- Entra – a voz dela estava meio rouca; quando entrei, meus joelhos ficaram momentaneamente fracos. Ela estava sentada na sacada com uma perna de cada lado dos balaustres. Ela tentava me dar o típico olhar cínico, mas eu vi que seus olhos estavam vermelhos e a maquiagem um pouco borrada – Relaxa, Aguiar, eu não vou me matar... Por mais que todo mundo implore por isso...
- Eu sei, você adora fazer o oposto ao que as pessoas querem – minha voz saiu fria, ela me irritava com aquela mania de se fazer de vítima – E ninguém quer te ver morta...
- O que você quer aqui? – educada como sempre, ela me cortou virando de costas, colocando as duas pernas pra fora da sacada.
- Todos foram pro velório do tal Senhor Gilbert, só estamos nós dois em casa – me aproximei, parando ao lado dela e apoiei os cotovelos na sacada – Daí eu pensei em...
- Vir aqui ver se eu queria me divertir com você? – ela me olhou de lado, tentando dar seu sorriso venenoso, mas falhou. Parecia uma menininha triste que mentia sobre como tinha conseguido um machucado no joelho.
- Você só pensa em sexo? – soltei sem pensar. Ela riu.
- E não é o que todo mundo pensa? Não é o que você pensa quando me vê?
- Eu desisto de você – revirei os olhos e desencostei da sacada, quando ia embora, ouvi a Lua murmurar:
- Você nunca tentou.
- Eu nunca tentei? Eu?! – virei sentindo uma raiva repentina me atingir.
- Tá doido? Do que você tá falando?
- Eu ouvi você dizer que eu nunca tentei. Como você se atreve a dizer uma coisa dessas? – cheguei bem perto dela, que tinha virado um pouco pra me olhar – Foi você quem pirou, virou esse material de Paparazzi, uma garota cínica...
- Você tá guardando isso dentro de si há quanto tempo? – ela disse do nada, calma e sorrindo – Diz logo tudo de uma vez, a Lua malvada vai ficar quietinha enquanto você desabafa, tá? – ela falou fazendo bico. Sarcástica dos infernos!
- Você é ridícula, Lua, sabia disso? – eu disse alto, como ela conseguia me fazer perder a linha tão fácil? – Ou melhor, você se tornou ridícula.
- O quê? Queria que eu fosse a Lua fofa que morria de amores por você pelo resto da vida? – mais uma vez, se ela fosse um cara, eu batia nela. Ah, eu batia sem dó alguma.
- Eu queria que você fosse você mesma. E não um personagem – eu não me lembrava de ter chegado tão perto dela – Isso é a vida real e não um dos seus filmes. Ah, esqueci! Ninguém te contrata porque você passou a ser uma bêbada incontrolável!
- Ui, olha só o gatinho mostrando as garras – olhando bem de perto, os olhos dela ameaçavam derramar mais algumas lágrimas; totalmente em contraste com a expressão que ela forçava, de ironia. Ela riu quando eu a segurei pelos ombros e a sacudi – Não conhecia esse seu lado agressivo... Se me lembro bem, você tinha até medo de me machucar se fizesse algum movimento mais profun...
- Cala a boca! – ok, ela me fez perder o resto da paciência que eu tinha - Chega! Lua, essa sua pose de que não liga pra nada não me engana mais. Eu te ouvi chorando... Eu posso não ter estado com você nos últimos tempos, mas eu consigo ver nos seus olhos o quão triste e sozinha você está! – o sorriso dela se desfez antes de cerrar os olhos, colocando as pernas para o lado de dentro da varanda, eu ainda a segurava, com medo de que aquela maluca resolvesse se jogar dali.
- E se for verdade? O que você tem com isso? – quando ela finalmente sentou direito, ficando de frente pra mim, eu soltei seus braços. Por estar sentada na sacada, ela ficou da minha altura, e eu finalmente olhei no fundo dos olhos dela e vi... – Ah, você acha que eu ainda gosto de você? Ah, que bonitinho! Isso é realmente fofo, até pra você, Arthur.
- E eu tô começando a duvidar que um dia você chegou a gostar e... – nem pude tomar ar pra terminar a frase. Lua simplesmente me puxou pela camisa, me fazendo ficar entre as pernas dela. Eu não esperava por isso, então não tive reação alguma!
- O que foi? Não tem mais nada a dizer? – ela sussurrou com a voz trêmula; me senti uma bicha dando pela primeira vez. As mãos da Luinha estavam geladas, me causando arrepios quando as colocou na minha nuca; não pensei antes de colocar as minhas em torno da cintura dela, fazendo nossos corpos se tocarem pra valer. Lua sorriu de lado ao encostar sua testa na minha, respirando de um jeito mais profundo, me deixando meio zonzo – Você sentiu falta disso, não sentiu? – ela murmurou ao fechar os olhos. Eu só respirei fundo, passando meu nariz pelo da Luinha, concordando. Ah, eu senti falta mesmo, porra!
Se a Lua sequer sonhasse em como minhas pernas tremeram quando ela pressionou seus lábios contra os meus, ela morreria de rir de mim, certeza. Encostei a ponta da língua na boca dela, que riu baixinho ao virar o rosto. Deu alguns beijinhos na minha bochecha, voltando para a boca; roçou os lábios nos meus, quando inclinei a cabeça pra beijá-la, Luinha se afastou de novo. Caralho, ela estava brincando comigo e o idiota estava caindo.
- Confessa que nunca me esqueceu – ela sussurrou e mordeu logo abaixo da minha orelha. Apesar de estar meio que entorpecido pelo momento, quando entendi o que ela tinha dito, meu sangue congelou e então voltou a correr rápido, de raiva.
- Esqueci... Mas pelo jeito você não me esqueceu – disse baixo, e senti quando o corpo da Luinha enrijeceu. Há! Eu também sabia ser malvado, bonitinha. Segurei firme em sua cintura e a coloquei de pé, no chão; ela me olhou confusa – Eu não sou um brinquedinho, Lua. Vê se cresce.

***

Legal. Meia-noite. E ninguém havia voltado. Já tinha visto três filmes, comido pipoca, uns salgadinhos, tomado mais de oito latas de cerveja. A doida, digo, a Lua passou pela sala em algum momento da noite, depois a vi voltar com uma garrafa. Tomara que seja veneno. Garota maluca.

Aguiar? Aguiar?! Que merda! Aguiar, seu inútil. Aguiar, acorda!
- Com toda a sua delicadeza, é claro que eu acordo – abri os olhos ao ouvir os berros da Lua. Por que estava tudo escuro? – Por que você apagou a luz?
- Pra te molestar enquanto você dormia – ela disse impaciente, estava completamente escuro, mas eu sabia que a voz dela vinha da minha frente, provavelmente estava sentada na mesinha de centro – Deixa de ser idiota, garoto. Escuta só o temporal que tá caindo. Acabou a energia. Eu tentei ligar o gerador, mas não consegui.
- Eu ligo, onde fica? – levantei do sofá, tentando me localizar no breu total.
- Lá fora, perto do celeiro – a voz da Lua estava bem perto agora, estiquei o braço e toquei algo molhado – É, você vai ter que ir lá na chuva.
- Tudo bem, eu vou – subi a mão por seu braço, constatando que ela estava totalmente encharcada – Pode subir, eu já vou ligar o gerador e vai logo tomar um banho quente, você tá pingando.
- Obrigada pela preocupação, Arthur – a voz dela saiu sem emoção alguma – Mas eu preciso te mostrar onde fica o gerador, já estou molhada mesmo, não faz diferença. Vamos.
- Não sabe onde tem um guarda-chuva? – me ouvi dizendo pro nada, andando devagar, ouvindo os passos da Lua um pouco mais a frente.
- Acha que se eu soubesse estaria molhada assim? – me assustei quando ela pegou minha mão e colocou em seus cabelos, mostrando o quão molhados estavam. O que me assustou na verdade, foi ela ter acertado onde minha mão estava. No escuro! Apertei os cabelos dela, sentindo a água escorrer entre meus dedos; ela estava de frente pra mim, a respiração entrecortada, provavelmente de frio – Anda logo, aqui tá tão quentinho que eu estou pensando em desistir de ir lá fora de novo.
- Quando você fica com frio, seus lábios ficam arroxeados – disse sem pensar, me arrependendo rapidamente; Lua deu uma risada anasalada, mas não disse nada, só me puxou pela porta da cozinha. 
O cenário fora da casa era um dos mais incríveis de todos os tempos: o céu estava completamente negro, somente quando os inúmeros relâmpagos cruzavam o espaço era possível ver os tons de roxo e azul escuro das nuvens carregadas. Ali do lado de fora, consegui ver o estado de Lua: a calça do pijama verde quase caindo por estar ensopada, uma regata preta, galochas coloridas e a franja colada na testa; ela me olhou de um jeito estranho, como se estivesse com vergonha da minha análise. 
- Vem, Aguiar, o gerador fica atrás do celeiro – mal entendi o que ela tinha dito, e já vi Lua correndo pelo terreno lamacento que tinha virado o gramado em frente à cozinha. Tomei fôlego e corri atrás dela; a chuva estava fria, mas era agradável. Não conseguia ver mais que poucos metros diante de mim, quando ouvi Luinha gritar, assim que ela entrou no meu campo de visão, fui obrigado a parar de correr para dar uma imensa gargalhada.
- Para de rir, seu imbecil! – ela gritou irritada, sentada no chão, cheia de lama. Quando vi o tamanho da poça em que ela tinha caído, ri mais ainda – Eu já mandei você parar, Aguiar!
- Primeiro: você não manda em nada – não parei de rir, para irritá-la – E segundo: é impossível não rir! Só você pra cair num buraco minúsculo assim!
- Eu escorreguei, ok? – Lua levantou, toda nervosinha e saiu pisando fundo pela chuva – Você não costumava ser assim.
- Assim? Assim como? – fui atrás dela.
- Irritante e insensível! 
- Eu só aprendi dançar conforme a música – sorri irônico ao chegar onde o gerador estava, ele ficava debaixo de uma pequena cobertura e tinha cara de muito velho – Como se liga isso?
- Tem que girar essa alavanca – ela se abraçava, numa tentativa ridícula de se aquecer – Esse negócio é da época em que meu avô não usava dentadura, só pode ser!
- Você só é fraca, Anjinho – usei o apelido que ela odiava e tentei fazer a geringonça funcionar. Nada. Não mexeu nem um centímetro.
- Quem é fraco agora, querido? – fiz mais força na segunda tentativa, enquanto Lua me olhava encostada na mureta de cimento que protegia o gerador.
- Está emperrado – eu já estava ficando com dor nos braços e nada daquela porcaria funcionar, até que... A alavanca girou descontroladamente, me jogando no chão. O barulho que aquele negócio fazia era ensurdecedor. Eu só pude ver a crise de risos que aquela praga teve – Ah, dá um tempo! – nem eu mesmo pude ouvir minha voz, tentei gritar – Não foi engraçado! – ela nem me olhou, continuava rindo sem parar. Ela ficava linda rindo daquele jeito. Irritado, me aproximei dela e entrelacei com força meus dedos nos cabelos molhados dela e finalmente ela me olhou um pouco assustada – Eu disse que não tem nada de engraçado nisso, Blanco – não falei muito alto perto de seu ouvido, mas tenho certeza de que ela ouviu, já que parou de rir no mesmo instante e virou a cabeça para me olhar melhor. Levantei a sobrancelhas sem entender o motivo daquela cara de espanto.
Ela respirou mais fundo e eu entendi... Nossos corpos estavam unidos e completamente molhados, eu a tinha deixado presa entre o meu corpo e o abrigo de cimento onde o gerador era guardado. Com todo aquele barulho, a única coisa que poderíamos fazer era nos comunicar por olhares. E o olhar dela dizia claramente: me beija. Mas eu não cederia tão fácil... Ela gostava de brincar, certo?
Pressionei mais ainda meu corpo contra o dela e segurei firme em seus quadris, vi quando ela abriu a boca e respirou fundo. Um gemido, tão rápido? Bom trabalho, Aguiar. Mesmo que estivéssemos fora da chuva, nossos corpos ainda pingavam. Sorri de lado quando senti as mãos dela, trêmulas, devo dizer, puxarem meu rosto pra perto do dela, quando estava prestes a encostar nossos lábios, eu me afastei. Ela estava a ponto de reclamar ou sair andando, não sei, não deu tempo suficiente pra saber; a puxei de volta pra mim, com força, beijando seu pescoço de um jeito um tanto desesperado. Lua inclinou a cabeça pra trás, dando livre acesso aos meus beijos e pegou minhas mãos as levando novamente a parte inferior de seu corpo, entendi o recado e segurei seus quadris, a levantei até deixá-la sentada no abrigo de cimento do gerador comigo entre suas pernas; ver aquele sorriso malicioso nela era... estranho. Estranho e excitante.
Comecei a dar mordidas no pescoço da Luinha, enquanto ela puxava meus cabelos e me envolvia com suas pernas. Dei mais alguns chupões, eurealmente queria deixá-la marcada, então comecei a subir meus lábios, primeiro por seu queixo, por sua bochecha, puxei o lóbulo de sua orelha com os dentes; as mãos dela estavam em minha nuca, pressionando mais minha boca contra sua pele; quando afastei meu rosto, após roçar meus lábios nos dela, Lua abriu os olhos rapidamente, questionando meu ato... Eu sorri de um jeito, digamos, maligno. E me afastei, balançando a cabeça em negação. Andei pela chuva de volta à casa, sem olhar uma vez sequer para trás.
Ela me queria? Que aprendesse a me tratar como um homem, não como um objeto qualquer.

Continua....

Adaptação:Larissa Albuquerque                                 @LuAr_Eterno_Smp


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