14 março 2013

''Betting Her''





Capítulo 3


Créditos:Heloísa Bernadelli

- V-você... está... linda? - Eu disse, sentindo meus punhos cerrarem automaticamente dentro do bolso. 
- Eu não estou pronta. - Ela disse com um tom de obviedade e eu suspirei aliviado. Macacão com o suspensório solto e camiseta não é uma roupa muito bonita para jantar. 
- Ah, tudo bem, e-eu... vou te esperar no carro, está bem? - Eu disse, apontando o veículo com o polegar e me virei. 
- Eu não vou. - Ela disse com a voz fraca. Eu me coloquei estático, sem saber exatamente o que fazer, virei-me devagar e traguei em seco. 
- Não? - Perguntei, sentindo o sangue escoar da minha mão, tamanha força eu dedicava para cerrar os punhos. 
- Não. - Ela disse simplesmente, recostando-se ao batente, horrível... era para ela estar horrível, mas não estava. 
- Por que não? - Eu perguntei, acercando-me, ela não pareceu afetada. 
- O que te faz pensar que eu entraria no seu carro e iria para algum lugar com você? 

Eu respirei fundo, por mim eu me viraria e iria embora naquele mesmo minuto. Qual é a dessa garota? Eu já não pedi desculpas? Que droga! 

- Ok, já entendi. - Suspirei e a encarei. - Olha, Luinha, eu... 
- Arthur. - Ela disse num tom baixo, eu assenti. 
- Lua ,  eu sei que você está chateada com o que eu fiz, mas eu não estou em um dia bom, digo... não estava... - Eu não acredito que eu estava guaguejando. - Não é isso, calma! - Eu pedi e me irritei comigo mesmo, ela umedeceu os lábios e cruzou os braços devagar. Vamos partir para o teatro, certo? - Ontem eu estava num dia ruim e... bom, a gente passou um tempo juntos e eu gostei da sua companhia, me fez bem, achei que hoje... hoje você pudesse sair comigo e a gente poderia passar um tempo juntos e se conhecer... - Ela se colocou ereta e me olhou. 
- Está tudo bem? - Ela perguntou com um tom preocupado... And the oscar goes to... 
- É, só uns problemas em casa, nada demais. - Menti mais um pouco e ela assentiu. 
- Eu... não sei porque você está me chamando para sair, eu... nem te conheço, você não deveria estar me contando isso. - Deu de ombros, confusa. 
- Eu... sinto confiança em você. - De alguma forma isso soou verdadeiro. 
- Pode ser amanhã? Eu estava ajudando meu irmão com um trabalho. - Ela disse, mordendo o lábio e colocando a franja atrás da orelha, eu posso achá-la sexy? 
- Não! - Eu disse rápido e ela se encolheu. - Digo... vamos hoje... eu espero você terminar, eu... vamos hoje, eu já estou pronto, eu reservei para hoje. - Eu dizia rápido a fim de acabar logo com aquilo. 
- Está bem. - Suspirou e ergueu o rosto. - Eu vou me arrumar. - Eu assenti e sorri fraco. - Você se importa de esperar aqui? Meu pai não está em casa. 
- Não tem problema. - Eu disse rápido, já me afastando. 
- Ok. Eu não demoro. 
- Não se preocupe, vai lá. - Eu disse na intenção de fazê-la entender que ela podia demorar se fosse para tirar aquele macacão e soltar o cabelo. 

Entrei no carro e relaxei, saquei o celular do bolso e enviei uma mensagem para os caras, dizendo que estávamos saindo da casa dela para jantar, que era para eles prepararem as libras, coisa de gente que está otimista demais, nada que é demais é muito bom, eu já deveria saber. 
Lua saiu de casa e eu pude vê-la se aproximar. Usava um vestido sem decote e na altura dos joelhos, segurando uma bolsa pequena e, por incrível que pareça, estava com saltos. 
Ok, ela não estava feia, mas seu cabelo ainda estava preso e ela não era sexy nem de longe. Desliguei meu celular e joguei ele sobre o painel do carro. Saí do carro e corri até ela, que não me encarou, apenas baixou a cabeça, submissa. Abri a porta do carro e estendi a mão para ajudá-la a subir. Agora, além de estar de vestido, ela estava com saltos. Ela apoiou a mão na minha e tomou impulso, encolhendo-se no assento devagar, sorri sozinho e fechei a porta, correndo para o meu lugar no carro. 

- Aonde nós vamos? - Ela perguntou em tom baixo, olhando para as próprias mãos. 
- Spice Valley, já foi lá? - Eu perguntei e virei o rosto na direção dela, que encolheu os lábios e negou com a cabeça. Eu assenti e olhei para frente, acelerando um pouco, mas, ao ouvi-la suspirar, diminui a velocidade, ela piscou devagar e sorriu sozinha. 

Dirigi por mais um tempo e parei em frente ao restaurante; um funcionário abriu a porta para ela e a ajudou a descer, eu me acerquei e joguei a chave na mão dele; olhei para ela, que estava vulnerável ao meu lado. Estiquei a mão e coloquei em suas costas, conduzindo-a porta adentro. Paramos na recepção e, assim que dito o nome das reservas, o maitre nos levou à mesa. Lua estava constantemente vermelha e eu fiquei pensando de que cor ela ficaria quando eu a visse nua, roxa talvez? 
Lua sentou-se e arrastou-se pelo sofá, deixando as mãos sobre as pernas junto com a bolsa. Eu agradeci ao homem ao meu lado e me sentei um pouco afastado dela, era melhor ser lento para não assustá-la. O maitre nos abandonou e deixou em seu lugar um garçom, que nos entregou o menu. 

- Já escolheu? - Perguntei a ela, que negou com a cabeça e me olhou, insegura, eu odiava quando ela me olhava daquele jeito, dava-me pena ou algo parecido com isso, eu sentia vontade de abraçá-la. - Murgh Malai. - Eu fiz os pedidos ao garçom, que anotou prontamente. 
- Para beber? - Perguntou em sua postura de pinguim, virei-me para Lua .  
- Suco de abacaxi com hortelã. - Disse, num tom delicado, desviando os olhos do menu para o garçom, que assentiu. 
- Er... - O que fazer agora? Eu não podia beber cerveja, podia? - Traga um para mim também. - Eu disse, sem nem saber o gosto que abacaxi com hortelã tinha. 
- Certo, com licença. - Ele retirou o menu e se afastou. 
- O que... você pediu? - Ela perguntou encolhida e eu sorri. 
- Basicamente, frango com creme e queijo. - Eu respondi divertido e a vi sorrir verdadeiramente pela primeira vez até então. 
- É um restaurante bonito. - Ela disse, olhando devagar em torno de si, eu também olhei e dei de ombros. 
- É legal. - Eu disse sincero e ela assentiu. 
- Com licença, posso lhes entregar a cartela de vinhos? - Perguntou o sommelier e eu soube automaticamente o que fazer. 
- Não, valeu. - Sorri e ele assentiu, afastando-se. 
- Obrigada. - Ela murmurou e eu me virei para ela. 
- Pelo quê? - Eu perguntei surpreso e ela encolheu os ombros, sorrindo e baixando a cabeça devagar. 
- Trazer-me aqui. - Ela disse e ergueu os olhos até os meus e... nossa, ela tem olhos bonitos... Arthur Aguiar, você é patético! 
- Valeu por ter vindo. - Eu disse, sorrindo, e ela assentiu, virando-se para frente em seguida. - E então, desde quando estuda no Thornleigh

Eu sabia bem desde quando, mas foi a partir daquela pergunta que ela me contou que tem algumas aulas comigo desde a quinta série, como se eu já não soubessse. Antes disso, morava no Brasil, é, no Brasil, aquele país da América do Sul onde as pessoas usam biquínis minúsculos e têm sol quase o ano inteiro. Se ela algum dia já foi bronzeada tinha desbotado nesses últimos anos. Conforme conversávamos eu fui percebendo sua timidez diminuir um pouco e logo estávamos envolvidos em assuntos aleatórios que eu nunca imaginei conversar com Lua Blanco, a esquisita. 
Nós jantamos tranquilamente. Embora fosse um restaurante Indiano e eu não conhecesse a maoiria dos pratos, eu já havia provado aquele em uma outra vez e, para evitar constrangimento, repeti o pedido. O suco não era ruim, claro que se fosse batizado com um pouco de vodca ficaria algumas vezes melhor, mas tudo bem, ela não tomaria vodca e eu não podia nem pensar em fazer isso se quisesse ficar com ela naquela noite. Pedimos a sobremesa e enquanto esperávamos eu me arrastei para um pouco mais perto, usei como desculpa parte de seu bolero que havia escorregado gentilmente pelo ombro que agora estava descoberto. Segurei a malha e o cobri novamente, não que eu quisesse, mas era necessário uma aproximação. Senti que ela se encolheu um pouco e sorri divertido por isso, mas não deixei que ela visse, claro. 
A sobremesa chegou, era algo parecido com um sorvete feito basicamente de leite condensado, açafrão, pistaches e amêndoas. Vinha em uma cestinha de waffle enfeitada com cobertura de chocolate e chantilly, ok, era minha deixa. 
Enquanto ela estava entretida com seu sorvete, eu passei o dedo no chantilly e fiz um ponto com ele em sua bochecha, ela riu um pouco e se virou para mim com uma carinha emburrada. Eu ri só de vê-la sorrindo e aproveitei o bom momento para colocar o braço no encosto do sofá, por trás do corpo dela. Ela tirou um pouco do chantilly de sua sobremesa e sujou a ponta do meu nariz, sorrindo tímida, após perceber nossa proximidade. Encolheu-se um pouco quando eu olhei para seus lábios, indicando o que eu queria. Eu ainda tentei me aproximar, mas ela virou o rosto para o outro lado. 

- Ok. - Sussurrei e me afastei. - Melhor ir para casa, não é? Está ficando tarde. 
- Uhum. - Concordou, limpando lentamente a bochecha com um guardanapo. 

maitre trouxe a conta e eu depositei as notas necessárias dentro da pasta, levantei-me e ajudei Lua a fazer o mesmo, e seguimos para fora do restaurante. O caminho de volta pareceu mais longo, já que nenhum dos dois disse nada, deixamos que Bob Dylan falasse por nós até a casa dela. 
Eu estava bastante irritado, mas não podia deixar tudo se perder por isso. Saí do carro e caminhei até ela, que acabara de fechar a porta. Fomos caminhando lado a lado até a porta central, ela tocou a maçaneta e eu coloquei a mão sobre a dela.Lua sobressaltou e ficou imóvel em seguida, com a cabeça voltada para baixo e os olhos colados na carícia que eu fazia com o polegar em sua mão. 

- Eu gostei muito de hoje. - Eu murmurei, um pouco inse... INSEGURO? 
- Eu também. - Ela murmurou ainda olhando meu polegar se mover. Parei o que fazia e ergui os dedos até seu queixo, erguendo-a em minha direção. 

Por algum motivo minha respiração falhou, eu tentei ignorar, mas meus joelhos não paravam de me lembrar que eu estava nervoso. Eu nunca ficava nervoso, que merda tinha naqueles olhos que faziam meu estômago encolher daquela forma? Eu estava tremendo! 
Lua contraiu o cenho e eu notei que já havia um tempo que eu estava em "transe". Soltei seu queixo e traguei a saliva, o que eu estou fazendo? Para onde é que minhas pernas estão me levando? Eu posso dirigir nessa condição? Patético, a palavra que descreve o fim da noite em que Arthur Aguiar fugiu de uma garota.

Continua....

Adaptação:Larissa Albuquerque                     @LuAr_Eterno_Smp


#ComentemAmorecos;;*                    ~Deixem a autora feliz~


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5 comentários:

  1. bom esta muito legal a web novela, perfeita, ne.

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  2. Ela está com a primeira temporada completa no meu blog , leiam lá :) , a segunda já está sendo postada :) , espero vocês lá e deixem comentários :))

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