12 março 2013

''Enjoy The Silence''





Capítulo 2


Créditos:Bruna Dugrey

Lua, para de gritar! Chega! – Chay e Lua estavam brigando pelo telefone há mais de quarenta minutos. Eu tinha até desistido de entender a conversa. – Eu não tenho culpa se você é uma irresponsável e que nossos pais não queiram te deixar sozinha por um mês. Não! Cala a boca! Escuta... Eu cansei dos seus ataques, ouviu bem? Você acha que eu tô gostando da ideia de ficar um mês com você e seus acessos de estrela? – Vi meu amigo fechar os olhos com força enquanto a irmã dele respondia. – Garota, uma vez na sua vida, dá pra parar de pensar só no que vocêquer? É aniversario deles, porra! – Ela realmente estava tirando o Blanco do sério, ele estava vermelho e andando de um lado pro outro. – Eu não sei... Nenhum dos meninos confimou, ou melhor, só o Thur... O problema não é nosso se você não tem amigos... Lua, eu cansei disso! Esteja no aeroporto na hora marcada. Tchau.
- E aí, cara? – Eu perguntei assim que ele jogou o celular no sofá e sentou ao meu lado bufando de raiva.
- E aí que eu queria saber quem é esse monstro e o que ele fez com a minha irmãzinha. – Coitado do Chay, só isso a dizer. Coitado. – Nossos pais praticamente pararam a vida deles por nossa causa... E agora, no aniversário de casamento deles, essa egoísta se recusa a colaborar.
Chay, você acha realmente uma boa ideia nós irmos também? As coisas já estão complicadas... Um mês é muito tempo. – Eu até queria ir, mas era um assunto de família, por mais que eu quisesse ver a Lua de perto depois de tantos meses.
- Realmente um mês é muito tempo... E eu tenho medo de matar a Lua se ficar lá sozinho com ela. – Ele respirou fundo e olhou o porta-retrato com uma foto dele e da irmã que eu tinha na minha sala, entre outras inúmeras fotografias. – Eu sei que é pedir demais, já que ela não é mais a Lua que a gente gostava... Mas ela só parou de gritar no telefone quando eu disse que você ia...
- Ela... Parou de gritar? – Ok, por essa eu não esperava.
- Parou, e depois perguntou se só você ia. Thur, eu preciso que você vá. – O olhar que ele deu, parecia um cachorro abandonado. – Quem sabe ela ainda escute você... Quem sabe ela ainda sinta...
- Ela não sente nada. – Cortei antes que ele falasse alguma besteira. – Tudo bem, eu vou.
- Ah, cara! Valeu! – Ele me abraçou rindo e disse numa voz afetada. – Por isso que eu te amo.
- Deixa a Mel saber que você está a traindo assim. – Eu ri e tomei outro gole de cerveja.
- É nosso segredo! – Ele piscou fazendo graça e nós rimos mais ainda.

***

Chay Blanco, pode considerar a si mesmo como uma bicha morta. – Rosnei o mais baixo que consegui, quase esmagando o braço do meu amigo, tamanha a raiva que eu sentia – Eu te ajudo e você faz isso?
- Isso o quê? – ele se fez de besta. Apontei com a cabeça e ele sorriu – A Mel? O que tem ela?
- Seu filho da puta! – sussurrei irritado – Estamos no aeroporto, esperando sua irmã... E você não me conta que sua namorada também vai?
- Ah, você tá com ciúme – eu poderia esganar o Blanco naquele momento.
- Ciúme o caralho. Se a Mel vai, pra que você precisa de mim? Acho que ela consegue te impedir de matar a Lua...
- Eu sabia que vocês me amavam, mas nem tanto – ouvi a voz sarcástica dela vindo das minhas costas, na fila do check-in. Totalmente diferente e totalmente linda. Cara, eu quase comi a garota com os olhos! Calça preta muito justa, que me fez secar as pernas dela. Uma regata vermelha, belo decote! E salto alto, como sempre. E de Ray Ban, que ficava extremamente sexy nela – Aguiar, acho bom você disfarçar... Suas fãs não vão gostar de te ver me engolindo com os olhos – aquela voz irônica dela me irritava. Mas ela tinha razão, vários paparazzi estavam do lado de fora do aeroporto. Respirei fundo e tentei parecer indiferente.
- Adorável como sempre, Lua – sorri e fui ajudar Mel com as malas, deixando o Chay com a mala dele, digo, com a irmã dele.

Arthur Aguiar, a pessoa mais sortuda do mundo, certo? Errado.
Eu tentei mudar de lugar, até ir de classe econômica. Mas nada deu certo. Por quê? Eu era um cara de muita sorte, por isso. E fui obrigado a ficar horas dentro daquele avião. Sentado ao lado da Lua. 
Eu queria matar o Blanco.

Quarenta minutos depois que decolamos do aeroporto de Heathrow, e aquele alien, não, porque aquela coisa do meu lado não podia ser uma garota... Continuando, mais de quarenta minutos desde que deixamos Londres e ela não disse uma palavra. Ignorou as comissárias de bordo, colocou os fones do iPod, tirou os óculos (ela estava de maquiagem bem escura, diferente do que eu estava acostumado a vê-la usando, mas ficou bonita de todo jeito) e fechou os olhos. Acho que ela acabou dormindo já que... Ah, merda. Merda. Merda. E merda. 
Lua – tentei falar normalmente, mas minha voz saiu num sussurro, ao tentar desencostar a cabeça dela do meu ombro. Não podia acreditar que ela havia dormido e estava caindo pra cima de mim. E eu agindo feito uma bicha, cara! E parando para olhá-la... Ela dormindo, até que lembrava a minhaLuinha. Desisti de acordá-la, no exato momento em que ela se aconchegou mais na poltrona, colocou uma das mãos na minha perna e deixou o nariz encostado no meu pescoço.

Só tínhamos mais meia hora de voo e, enfim, chegaríamos ao aeroporto de Carlisle, daí mais uma hora de carro até a fazenda da família do Chay, em Penrith.
Eu estava morrendo de sono, e meu braço estava ficando dormente em volta do corpo magro da Lua, que ainda dormia. Eu já tinha olhado todas as músicas no iPod dela... Ela tinha Carry On My Wayward Son do Kansas! Fiquei impressionado de achar músicas desse tipo, e não músicas da moda, como da Lady Gaga e Katy Perry.
Senti a respiração da Lua começando a ficar mais pesada contra o meu pescoço e, merda, eu senti meu corpo arrepiar. Até os lábios dela encostarem na minha pele, eu não tinha percebido que ela tava acordada. Sem querer, muito sem querer, eu a puxei pra mais perto, ela riu baixinho e deu uma mordida bem perto da minha orelha.
- Será que o que dizem sobre banheiros de avião é verdade? – ela sussurrou enquanto subia a mão pela minha perna até chegar à minha virilha, me deixando sem reação. O quê?! – Vai me dizer que nunca pensou em transar em lugares diferentes? – senti meu corpo todo congelar.
- Eu não transo com estranhas – disse bem seco e a tirei de perto de mim.
- Nossa, desde quando eu sou estranha? – a vi fazer um biquinho, que se fosse em outros tempos, eu não conseguiria evitar morder.
- Desde o momento em que você parou de agir como uma pessoa normal – como ela conseguia não demonstrar emoção alguma? Ela parecia um robô, um lindo robô – Desde que você deixou de ser a Lua que eu conhecia, que eu gostava, que eu...
- Que você tirou a virgindade – ela me cortou, sorrindo de um jeito, digamos, venenoso. Se ela não fosse uma garota, eu teria quebrado a cara dela naquele exato momento – Vai me dizer que esqueceu? Ah, você não esqueceu, certo, Thur? Eu lembro como se fosse hoje... A sua cara de felicidade, de admiração... Se achando o melhor por ser o primeiro homem na vida da queridinha da Grã-Bretanha – ela falava baixo, se aproximando de mim de novo, com aquele olhar cínico.
- Eu não vou ter esse tipo de conversa com você dentro de um avião – levantei antes que ela falasse mais alguma idiotice, ou fizesse alguma. 
- Vai ao banheiro? – a ouvi perguntar, mas ignorei – Quem sabe eu não te encontre lá?

***

Finalmente. Depois de aterrissar no aeroporto de Carlisle, fomos para Penrith, no condado de Cúmbria. O avô do Chay já tinha deixado tudo ajeitado para a nossa estadia na fazenda, enquanto o Sr. e a Sra. Blanco viajavam para comemorar 25 anos de casados. Um carro já nos esperava quando saímos do pequeno aeroporto. Enquanto eu ajudava o Chay com as malas, Mel tirava fotos de tudo, e a Lua... Bom, agindo como Lua: fingindo que ninguém existia. Mel já sabia como a cunhada era, então entrava no jogo, fingindo que a própria Lua não existia. 
No carro, Chay foi à frente conversando com Jerome, o motorista da fazenda, relembrando coisas das férias passadas lá quando criança. Eu tive de sentar entre a namorada muitíssimo bem-humorada do Chay, que me fazia rir dos comentários sobre as pessoas na rua e a múmia que atendia (na verdade não atendia coisa nenhuma) pelo nome de Lua.
Mais ou menos uma hora depois, chegamos ao lugar mais lindo que eu já vi na vida. Chay disse que o nome do “bairro” era Watermillock, mas, cara, cabia um bairro todo dentro da propriedade dos Blanco! A casa, ou melhor, a mansão parecia ter saído de um filme: enorme, branca e todos os detalhes em azul escuro. O gramado era de dar inveja ao do palácio de Buckingham. Jerome ia dizendo onde ficava cada coisa: piscinas, estábulos, quadras, sauna... Cara! Como o Blanco nunca sequer tinha mencionado esse lugar pra gente? Belo amigo, hein?

Chay! Lua! Meu Deus, como vocês cresceram! – uma senhora de cabelos grisalhos e olhos verdes veio toda animada quando entramos no hall da casa.
- Claire! – Chay correu para abraçar a simpática velhinha – Que saudade!
- Vocês ficaram famosos e se esqueceram de mim – ela fez charminho e nós rimos – Mel, eu sempre soube que vocês ficariam juntos – ela retribuiu o abraço da namorada do Chay e parou sorrindo – Luinha, minha querida.
- Oi, Claire – a voz dela saiu tão doce que eu pensei estar ouvindo coisas – Senti sua falta – Lua estava falando bem baixinho, como se tivesse vergonha de ser amável com alguém.
- Eu também senti falta da minha ajudante de cozinha preferida – a senhora, Claire, abraçou a Luinha sorrindo – E você deve ser o famoso Thur – ela veio na minha direção de braços abertos.
- Famoso? Eu? – sorri maroto, quando ela concordou. 
- Pode acreditar. Certa garotinha falava bastante de você... – Claire foi interrompida por Lua, que estava repentinamente vermelha.
- Quais quartos estão disponíveis? – ela disse rápido e meio sem fôlego.
- Er... O azul, verde, lilás e amarelo – ela estava falando de quartos ou de lápis de cor? – Já mandei levarem as malas do Chay e da Mel pro verde, do Thur pro azul e as suas para o lilás...
- Eu vou ficar no amarelo – mal ouvi a voz da Lua, e ela já tinha subido a escadaria, dois degraus de cada vez.
- Mas ela sempre ficou no lilás – a adorável velhinha ficou visivelmente assustada com a atitude da sua garotinha querida.
- Claire, eu preciso alertar que a Lua não é mais a mesma – Chay a abraçou de lado e falou mais baixo – Aqui vocês não têm costume de ler revistas ou assistirem programas de fofocas... Mas a Lua não é a Luinha que vinha pra cá antigamente. 
- Eu percebi as roupas diferentes e a maquiagem pesada... Mas ela pareceu ser a mesma menina doce e alegre de sempre – eu suspirei, coitada de Claire, se ela soubesse um terço das coisas que a Lua estava aprontando...
- Bom, só não se assuste se ela fizer alguma coisa diferente, tá bem? E avise aos outros empregados para a tratarem como uma convidada e não como alguém ‘de casa’ – Chay disse olhando para duas mulheres, pelas roupas deviam ser cozinheiras, que estavam esperando Claire na porta que me parecia levar até a sala de jantar.

***

O quarto que me deram era demais. As paredes tinham um tom diferente de azul, eu ouvi o Chay dizer que a Lua chamava de ‘azul colar da Rose do Titanic’, e pior era que o quarto era realmente da cor do tal colar. A cama era incrível! A mobília era toda feita em mogno, e a decoração era amarelo clarinho. Mas nada disso se comparava à varanda. A vista que aquela varanda dava de toda a fazenda. A primeira coisa que fiz foi tirar uma foto daquela paisagem, tudo tão verde com pontinhos coloridos das flores; o céu estava azul claro, sem nuvens e o sol estava bem fraco. Do lado esquerdo dava pra ver a piscina e do direito uma espécie de plantação. Demais. Um lugar realmente irado.

***

Cara, eu queria morar num lugar assim! Estávamos na fazenda há cinco dias e fez sol todos os dias. Todos! Ficávamos na piscina sem fazer nada, só curtindo e comendo as coisas maravilhosas que a Claire mandava alguém trazer de tempo em tempo.
Eu consegui compor alguns trechos para novas músicas. Tentei andar a cavalo. Descobri que a plantação que via da janela do meu quarto, era plantação de ervas para chá. Bem inglês, certo?
O momento mais engraçado até aquele momento: uma das empregadas pegou Chay e a Mel quase pelados dentro do estábulo, nunca vi alguém chorar tanto na minha vida que nem a pobre mulher chorou se desculpando. Não que isso seja engraçado, a graça foi ver a cara do casal depravadolevando uma bronca da Claire. 
Tudo estava indo muito bem... A não ser... Lua. 
Ela quase não saía do quarto, só saía quando Claire insistia que ela precisava tomar um pouco de sol e ar fresco. Eu não ouvi a voz dela por exatos cinco dias.


Continua...

Adaptação:Larissa Albuquerque                           @LuAr_Eterno_Smp


#ComentemNutellas                            ~Deixem a autora feliz~


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2 comentários:

  1. bom a web novela esta muito legal, ne.

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  2. AWNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNN AMEI AMEI AMEI
    lUANE cAROLINE

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