Capítulo 2
"Eu já estive com tantos tipos diferentes de garota, assim como eu já vi várias, mas, de forma alguma, nenhuma é como você" (Like You - Ciara)
Créditos:Heloísa Bernadelli
Eu acordei mais mal humorado do que de costume, e isso tinha um motivo. Tive um sonho onde eu chegava comLua na escola e os caras ficavam rindo de mim, assim como o resto da escola. Eu não podia fazer aquilo, eu simplesmente não podia. Aquele sonho foi um recado, um choque de consciência que me fez ver que instrumento algum consertaria minha reputação depois que eu já houvesse cuspido nela. Eu precisava avisar aos guys que eu não iria aceitar, que eles podiam ficar com as libras e com Lua e, de quebra, eu não iria mais ao baile, a não ser que a gostosa da vizinha aceitasse ir comigo.
Assim que saí do banheiro, depois de fazer todas as coisas que todo mundo faz pela manhã, terminei de me vestir e o sol lá fora exigiu que eu deixasse o suéter e o blazer para trás. Peguei a mochila e desci para o café da manhã. Minha família soube do meu mal humor assim que me viu e, assim, preferiram me deixar em paz. Cheguei na escola e deixei meu material no armário, segui rapidamente até o refeitório e o atravessei, chegando no jardim. Bufei ao ver os garotos rindo, Sophia estava sentada gentilmente no colo de Micael e a mão dele lhe apertava o interior da coxa por baixo da saia, como são discretos!
- Eu preciso falar com vocês. - Eu disse, exalando um pouco da minha irritação.
- E aí, cara. - Chay acenou, abraçado à Mel, a morena passava os dedos pela parte exposta do peito dele através camisa.
- Eu desisti da aposta, fiquem com o dinheiro, façam o que quiser com ele!
- Hey, hey. - Pedro disse, rindo. - O quê aconteceu? Ela também te deu um fora?
- Cala a boca, Pedro! - Apontei para ele, irritado. - Eu não vou fazer isso por míseras libras, eu não preciso disso. - Eu cuspi as palavras, sentindo minha garganta arder pela força que eu estava fazendo.
- Então, muito bem, pague-nos as míseras libras. - Ele disse e eu estava pronto para gritar uma resposta, mas me calei.
- Quanto tinha lá? - Perguntei, tirando a carteira do bolso, sentindo a raiva pulsar na minha testa, anunciando a dor de cabeça.
- £3.000,00. -Chay sorriu de lado, eu abri a carteira e procurei o dinheiro, ok, eu não tinha tudo isso ali naquele momento.
- Eu... pago depois? - Olhei e eles riram alto, rolei os olhos e me joguei no banco. - Eu não quero mais fazer isso, ok? - Eu disse bravo e eles continuaram me olhando e rindo.
- Cara, é só sexo, você já transou com mil garotas diferentes, vai lá, beija até ela se sentir excitada e come ela, simples.
- Vocês não estão entendendo! - Eu quase gritei, batendo as mãos na mesa. - Ela... é chata, e tímida ao extremo, ela nem olha na minha cara e nem gosta de mim, por que diabos vocês pensam que eu vou conseguir beijá-la?! - Esfreguei as mãos no cabelo.
- Shhh, ela está vindo. - Mika disse e eu bufei, virando o rosto para o lado.
-Arthur. - Ouvi-a me chamar, meu estômago afundou e eu não sabia se era de ódio ou nervosismo, eu nunca sabia o que dizer perto dela, e isso aumentou minha raiva.
- Que é? - Eu perguntei, virando o rosto para ela, que pareceu um pouco assustada com meu tom de voz ou a vermelhidão do meu rosto.
- E-eu... acho que meu livro... eu acho que... ele ficou... e-ele...
- Fale de uma vez, garota! - Eu disse, irritado com aquela menina guaguejando na minha frente, seus olhos saltaram e ela se encolheu.
- Meu livro... ficou com você, ontem... no seu carro.
- Ah! - Eu exclamei, recordando-me de ter pego seu livro dentro do carro, mas, ao ver que tinha gente demais ouvindo nossa conversa, eu senti um tom debochado invadir minha garganta. - E o que te faria pensar que um livro seu estaria no meu carro?
- É que... Deixa para lá. - Murmurou, baixando a cabeça e se afastando, eu nem percebi, mas estava em pé. As pessoas gritavam e me parabenizavam pelo que eu havia feito, mas, na verdade, ao vê-la entrar no banheiro feminino, eu senti um nó trancar minha garganta, talvez eu tivesse pegado pesado.
- Thut. - Mel me chamou e eu me virei para ela. - Se você quer conquistá-la, você vai ter que se comportar melhor. - Ela disse carinhosa e eu me joguei no banco, outra vez segurando meu cabelo.
- O que eu faço? - Perguntei com a voz esganiçada.
- Você tem que se desculpar por isso, provavelmente ela está nervosa, chorando no banheiro. Esse livro está mesmo com você? - Eu assenti devagar. - Então, você pega ele e... ah! Já sei... escreva um bilhete e coloque dentro do livro, pode ser um convite para alguma coisa...
- Do baile? - Eu perguntei.
- Não, não se apresse, chame ela para... jantar? Ela parece gostar de comer. - Inflou as bochechas, querendo dizer que Lua era gorda, nós rimos e meu humor oscilou, melhorando um pouco, quase nada.
- Certo, por 3.000 pounds eu faço isso. - Concordei, esfregando o rosto.
Como conselho de Mel eu não fui para a sala, o conselho dela não foi esse, mas eu precisava fazer isso se quisesse mesmo um instrumento novo. Escrevi pelo menos quinze bilhetes, amassei-os e os joguei dentro da minha mochila.
- Precisa de ajuda? - Ouvi Jessy perguntar, parada ao meu lado. De repente, ela subiu no banco onde eu estava sentado e se sentou sobre meu caderno, com as pernas uma de cada lado do meu corpo. Eu a encarei e mordi meu lábio, sentindo seu perfume invadir minhas narinas.
- Preciso. - Eu disse, encostando a bochecha em seu joelho.
- Hum, o que está tentando fazer? - Perguntou, colocando o pirulito na boca outra vez e envolvendo-o com a língua.
- Escrever um bilhete. - Eu disse, passando as mãos pelas laterais de sua coxa, erguendo um pouco sua saia e podendo ver sua calcinha de renda vermelha.
- Eu posso te ajudar. - Ela sorriu de lado, sentando-se mais perto do meu rosto, eu ri sozinho e apertei suas coxas. - Mas o que eu ganho com isso? - Fez beicinho e eu sorri de lado.
- Vou te deixar de bom humor e depois a gente decide, pode ser? - Perguntei, beijando a parte interior da sua coxa.
- Mostre-me como isso funciona, Thur. - Ela pediu com a voz extremamente sensual, apertei mais suas coxas e encostei os lábios em sua calcinha, fechei meus olhos e forcei a língua por cima da renda. Ela juntou a mão no meu cabelo e o apertou, puxando-o um pouco.
Não tinha o que temer, éramos os únicos ali fora, e, se fôssemos pegos, a desvantagem era dela, eu ganharia fama. Ela afastou a própria calcinha segundos depois. Não era o tipo de coisa que eu adorava fazer, eu preferia receber. Mas, em tais circunstâncias, eu precisava de ajuda, e Jessica faria qualquer coisa por um oral, eu achava graça nisso, mas ela achava bem excitante. Pedi que ela calasse a boca quando gemeu alto e voltei a fazer o que fazia antes, até ela se jogar para trás, totalmente fraca. Ajeitei sua calcinha e esperei ela se recuperar. Minha calça estava um pouco justa e o tesão dela me deixou excitado, qualquer coisa que eu escrevesse naquele momento seria envolvido ao sexo, por isso puxei Jessy e a sentei do meu lado, coloquei meu caderno em frente a ela e joguei a caneta em seu colo.
- Eu vou ao banheiro.
Quando voltei, vi que Jessica estava deitada sobre o banco, sobre a mesa o caderno com um bilhete escrito, baseado nos que eu já havia amassado. Ela me olhou e sorriu, levantando-se em seguida.
- Aí está, Thut. - Ela disse, apontando com o polegar.
- Valeu. - Eu disse, cruzando os braços.
- Foi uma delícia. - Apertou meu queixo e piscou, saindo rebolando em seguida. Ri sozinho e me sentei para ler.
"Muitas vezes dizemos e fazemos coisas que machucam as pessoas, e eu sei que fiz algo que te magoou, mas quero que entenda. Tentei resolver meus conflitos atingindo você. Eu sei que mal nos falamos, mas tenho tentado me aproximar, o fiz da forma mais errada possível e quero que compreenda e reconsidere. Uma garota especial como você não deveria ser tratada daquela forma, fui um grande idiota. Me perdoa?"
Li e reli o bilhete pelo menos cinco vezes, eu não podia enviar aquilo para ela, não estava certo. Eu não estava assim tão arrependido, estava? E como assim dizer a ela que ela era uma "garota especial"? Eu nem conversava com ela, mas eu também não conseguiria escrever algo tão bom, certo? Certíssimo! Apenas refiz o bilhete com a minha letra e escrevi embaixo que passava em sua casa às oito horas do mesmo dia. Assinei e o guardei no meio do livro, com a ponta à mostra. Amassei outra vez os bilhetes que Jessica havia aberto e os joguei na lixeira.
- Sr. Aguiar, algum problema? - Professora Samantha perguntou quando abriu a porta onde eu havia acabado de tocar.
- Eu poderia entregar algo à senhorita Blanco? - Eu perguntei no meu melhor sorriso bom moço, ela sorriu desconfiada e afastou mais a porta.
- Rápido, sim? - Assenti e entrei, apertando o livro entre os dedos. Os alunos se voltaram para mim, Mika acenou contente para mim e eu trinquei os dentes para ele, que riu baixo. Caminhei até Lua, que ergueu o rosto do caderno e se assustou ao me ver ali, encolheu-se na surpresa e eu umedeci os lábios, estiquei o livro e deixei ele sobre a carteira dela, puxando um pouco mais o cartão para fora dele.
- Pensa bem, huh? - Eu sussurrei e sorri de lado sem muita vontade, antes de me afastar, ouvindo os alunos murmurarem entre si. - Obrigado, professora. - Acenei e saí da sala.
Pronto, estava feito. Agora dependia somente dela, eu precisava ir para casa naquele mesmo minuto. Passei pela secretaria e disse que não estava me sentindo bem, e então rumei para fora da escola. Eu sabia que depois daquele cartão Lua iria sair comigo, eu só precisava fazer tudo certo naquela noite, e então eu teria o que queria e fim!
Pedi a ajuda da minha mãe para reservar um restaurante bom, ela o fez toda orgulhosa por eu querer levar uma garota a um lugar legal. Mal sabe ela do motivo por trás disso. Dormi a tarde toda despreocupadamente e só acordei quando minha mãe entrou e disse que eu deveria começar a me arrumar para surpreender Lua. Eu concordei de mal gosto e fui para o banheiro tomar banho.
Imaginei queLua já estaria pronta enquanto eu saia do banheiro para começar a me vestir. Coloquei uma calça jeans escura, uma camiseta branca e uma camisa xadrez em tons de marrom e cinza. Coloquei meu sneaker mais limpo e (des)arrumei meu cabelo, perfumei-me e peguei dinheiro suficiente para bancar aquela noite. Restaurante e motel de boa qualidade costumam sair caro. Eu só esperava que ela não estivesse usando sapatilhas, eu brocharia no mesmo instante!
Despedi-me dos meus pais e peguei o carro, guardei a câmera no porta-luvas para ter como provar aos garotos que eu merecia aquelas 3.000 libras. Parei o carro em frente a casa dela e dei play no cd do Bob Dylan, eu precisava agradá-la se queria qualquer coisa com aquela menina. Desci do carro e caminhei devagar até à casa, tentando adiar, ou pelo menos atrasar, aquele momento. Respirei fundo e toquei a campainha duas vezes consecutivas, coloquei as mãos no bolso e subi na ponta dos pés, depois voltei e fiz mais uma vez, mas parei ao ver a porta se abrir. Prendi a respiração sem nem mesmo perceber, arregalei meus olhos e senti um nó se formar em minha garganta, meu Deus!
Continua ...
Adaptação por:Larissa Albuquerque @LuAr_Eterno_Smp
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nossa esta muito legal a web novela, ne.
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